o soneto do pré-sono

October 18, 2011

que é quando a gente se desabotoa da realidade,
o raciocínio vai afrouxando.
onde não cabe a rigidez formal de um soneto,
cabe só a poesia.

que se eu pudesse escolher ia viver a vida no pré-sono:
um pé em uma realidade colorida,
o outro num sonho ainda nítido.
a mente ainda alerta, mas já entregue.
o raciocínio vai lento… livre, mas ainda segue uma linha.
uma linha nada reta, mas que ainda liga um ponto a outro.

que é a hora de observar de pertinho quem a gente ama.
colocar o menino na cama,
ler história, sussurrar umas notas de ninar.

um cafuné.

encaixar numa conchinha tão quentinha,
que a coberta escorrega timidinha no canto da cama,
e ninguém percebe.

que no pré-sono a gente se permite falar o que vier na cabeça,
sem a ambição e a censura da realidade.
um tom meio bêbado, meio sóbrio.

que a despedida muito enrolada no pós-sono é não querer acordar pra uma realidade difícil.
acaba que o corpo fica cheio de dores.
mas o pré-sono é tântrico,
a gente enrola que é pra aproveitar cada minuto antes de chegar no fim.
e no fim das contas, adormecer é o clímax do pré-sono.

que é quando a respiração vai ficando lenta,
e isso importa mais do que a hora que o relógio marca.
a gente espera o sono chegar devagarinho,
e isso importa mais do que qualquer outra coisa no mundo.

o corpo relaxa

um último pensamento

um bocejo
um beijinho…

boa noite.
___________________________________
música pra embalar o soninho:
http://toptvz.com.br/os-gutembergs/sistema-nervoso Os Gutembergs
(a risada do Lenine no 1:12 diz tudo)

estadão (fim de semana 21/22 de maio)

May 24, 2011

Ser forte não é não precisar de ninguém. Só os que não se deixam dominar pela inconstância podem se entregar de verdade. Só os que são seguros do que querem estão prontos para viver sem medo das emoções intensas. Só os que se conhecem podem se aprofundar nas paixões. Fraqueza é achar que o amor é um peso.

Fica

May 17, 2011

Fica. Não vai embora.
Eu te faço um café e compro pão fresquinho.
Ah, você não come nada de manhã? Me desculpe.
Mas fica vai, que diferença vão fazer só mais cinco minutinhos?
Sim, já amanheceu. Tanto faz ir agora ou ao meio dia.
Não me venha com essa de que sua mãe não dorme enquanto você não chegar. Esse papel de Adoniran não te cai bem.
Fica, vai ter bolo!
Seu humor não está dos melhores? Entendo.
Então fica que te faço rir!
Melhor deixar pra outra hora?
Por favor, fica. Eu te peço!
Se você for eu vou sentir tua falta. Eu só amo aquilo que me falta.
E eu não quero amar você.

o fim

May 16, 2011

Hoje, lendo as 30 últimas páginas de um livro muito bom me ocorreu umas das aflições mais aflitas da vida: a de ler as 30 últimas páginas de um livro muito bom.
Não sei se é pela tristeza de não acompanhar mais os detalhes daquela história bonita (pode até ser triste, mas ainda sim bonita) ou de estar próximo da revelação do real final da história (sim, porque na minha cabeça já existem mil tipos de finais que podem até ser piores do que o real, mas ainda sim são os que eu criei).
Me ocorreu também se existe algum livro que tenha sido feito pra não ser lido até o final. Não uma história com um final indefinido, mas uma em que o autor te diga que faz mais sentido parar quando ainda faltam 30 páginas pra acabar.
Eu dizia que queria ser escritora quando crescesse, mas acho que eu queria mesmo dizer era que queria viver de histórias bonitas.

O fim, esse eu nunca quis.

dá medo do medo que dá

August 2, 2010
A gente é feito de matéria e medo.

Tem gente que casa (ou namora) por medo de ficar sozinho,
separa com medo de ser enganado.

Não fala por medo de não ser ouvido,
ou fala coisas estúpidas com medo de se entregar.

Não ouve por que tem medo do que vai ter que responder.

Vive por que tem medo de morrer,
e morre com medo de não ter vivido.

O corpo adoece por puro medo de ser danificado.
Na verdade, medo é o safety-mode que o corpo criou.

Sem medo não haveriam atitudes corajosas e nem do que se orgulhar.
Não haveria adrenalina.

A gente vive com o medo, e tudo bem. Aliás, ainda bem.

O problema é viver do medo e deixar passar o tempo escondido nele.

(obviamente para ler ouvindo: Julieta Venegas | Lenine: http://blip.fm/~uauoc ah, lenine)

sabedoria popular

June 11, 2010

Tudo passa.
Ô se passa.
Passa mesmo.
Passa assim, tipo uma uva (banana, maça ou qualquer dessas iguarias nojentas):
Encolhe, escurece, murcha, amarga… mas passa.
E fica ali no cantinho, sendo esquecida no meio dos pratos mais elaborados,
fazendo volume nas receitas mais pobres.
Mas que passa, passa.
(que fique claro que este texto foi escrito por uma pessoa que acha a idéia de comer coisas passadas uma das piores invenções do mundo. entre elas destacam-se a uva passa e o Yakult)

o maior-amor-da-vida-inteira

May 20, 2010

E lá estava ela.

Mais uma vez com o coração em pedacinhos na palma da mão, o olhar cabisbaixo frente aquela pessoa, já velha conhecida. Se, por algum desses erros do mundo, tivesse nascido com rabo, certamente este estaria entre as pernas.

Sentira uma saudade imensa daquele olhar acolhedor, porém o gosto amargo de pequeno fracasso na boca a fazia infeliz. Sabia que por pior que tivesse sido a viagem, por maior que fosse a amargura, encontrava ali seu porto seguro, para onde sempre podia voltar. Alguém que lhe esperava de braços abertos, mesmo quando ela gostaria de se jogar em outros braços.

Porém este porto mais lhe parecia um ponto de partida, de um começo que ela não queria ter de reviver.

E a cada vez que voltava (sim, essa não era a primeira vez e certamente não seria a última, o que a deixava incomodada) tinha a certeza de que estava diante da pessoa que melhor lhe entenderia, suportaria, quem conviveria (e quem sabe se divertiria) com suas manias, que compartilhava dos mesmos gostos, que sabia onde o toque dava prazer e quando era necessário calar-se ou abraçar-lhe.

Foi quando se deu conta, colocando os prós e contras na balança que não deveria mais lutar ou negar esta convivência. Se este alguém queria lhe acompanhar por toda a vida, sempre tentando lhe fazer feliz, talvez ela devesse aceitar.

A partir deste momento a relação que lhe parecia sem graça, como num estalo se encheu de cor e vida.

Saiu da frente do espelho e foi viver a vida com o grande amor da sua vida: ela mesma.

loucura

May 6, 2010

Eu sou louca, meu coração é louco, meus pensamentos são loucos.
Mas por favor, não se afaste, não é um mal contagioso.
Pelo contrário, fique bem por perto.
Desconfio que você possa ser a minha cura.

doçura

January 16, 2009

Coraçõezinhos enfiados no brigadeiro.

Sugestivo, ainda mais pra mim que me recuso a deixar o meu amargar.

docura

para choques

January 7, 2009

Minha próxima aquisição vai ser um caminhão.
(a kombinha de 2 cores + fusca verde ficam pra depois)

Daí vou poder botar nele as frases que não tem graça twittar.
E também aquelas que são impróprias para o público do meu msn.

Assim poderia sair por aí gritando meus desabafos anonimamente, para aquelas pessoas que iriam se preocupar ou comemorar comigo só pelo tempo em que andarem atrás do meu pára-choque.
E só.


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