que é quando a gente se desabotoa da realidade,
o raciocínio vai afrouxando.
onde não cabe a rigidez formal de um soneto,
cabe só a poesia.
que se eu pudesse escolher ia viver a vida no pré-sono:
um pé em uma realidade colorida,
o outro num sonho ainda nítido.
a mente ainda alerta, mas já entregue.
o raciocínio vai lento… livre, mas ainda segue uma linha.
uma linha nada reta, mas que ainda liga um ponto a outro.
que é a hora de observar de pertinho quem a gente ama.
colocar o menino na cama,
ler história, sussurrar umas notas de ninar.
um cafuné.
encaixar numa conchinha tão quentinha,
que a coberta escorrega timidinha no canto da cama,
e ninguém percebe.
que no pré-sono a gente se permite falar o que vier na cabeça,
sem a ambição e a censura da realidade.
um tom meio bêbado, meio sóbrio.
que a despedida muito enrolada no pós-sono é não querer acordar pra uma realidade difícil.
acaba que o corpo fica cheio de dores.
mas o pré-sono é tântrico,
a gente enrola que é pra aproveitar cada minuto antes de chegar no fim.
e no fim das contas, adormecer é o clímax do pré-sono.
que é quando a respiração vai ficando lenta,
e isso importa mais do que a hora que o relógio marca.
a gente espera o sono chegar devagarinho,
e isso importa mais do que qualquer outra coisa no mundo.
o corpo relaxa
um último pensamento
um bocejo
um beijinho…
boa noite.
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música pra embalar o soninho:
http://toptvz.com.br/os-gutembergs/sistema-nervoso Os Gutembergs
(a risada do Lenine no 1:12 diz tudo)
